No segundo dia da Semana da Comunicação, o jornalista e doutor Felipe Pena criticou – ainda que de maneira descontraída – algumas práticas do jornalismo contemporâneo. Dentre elas, dissertou sobre as estratégias sensacionalistas do telejornalismo e tentou desmitificar a tão falada objetividade da profissão.
“Os jornalistas se escondem atrás da objetividade para se protegerem, porém esta objetividade é um mito”. Segundo o acadêmico, o jornalismo necessita da objetividade como uma forma de tornar a matéria comercial, vendável, criando esta ilusão. “Mas, na verdade, a subjetividade é característica do ser humano, e o jornalismo é humano, é social”.
Em relação à narrativa, Pena usou de reportagens feitas por ele mesmo para fazer críticas à forma que o telejornalismo é feito hoje no Brasil. “Na notícia, a realidade é pano de fundo, o drama, a ficção da narrativa é o que prende o público”, afirmou. “O que vale não é o jornalismo, é a carga dramática”. Como exemplo, usou o assassinato da atriz Daniella Perez, que ocorreu no mesmo dia em que o presidente Fernando Collor renunciou. Apesar da relevância da renúncia presidencial, a carga dramática da morte de Daniella proporcionou muito mais Ibope, colocando em xeque a postura adotada no jornalismo. “Naquele dia (28 de dezembro de 1992), os jornais chegaram a dar maior destaque à morte de Daniella que à renúncia do presidente”, afirmou. (Jordane Rodrigues, José Vinícius e Marina Ribeiro)
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